Uma ação da Polícia Civil para cumprir mandado de busca de suspeita em uma casa após denúncia de existir arma no imóvel, no distrito de Aparecida, em São Manuel (SP), no último dia 29 de maio, foi denunciada por moradores à Promotoria Pública e à corregedoria da polícia. O advogado dos moradores pede o afastamento e a prisão do policial e de uma delegada.

O caso aconteceu na casa do transportador de madeira João Artur Lima, de 41 anos, e da esposa que é sua ajudante, Ana Paula Custódio, de 36. O casal diz que os policiais chegaram no imóvel onde estavam dois filhos, uma jovem de 19 anos e um adolescente de 16, e segundo a denúncia um dos investigadores pegou quase R$ 3 mil que estavam no bolso de uma camisa no guarda-roupa, subtraindo o valor. 

O cumprimento de mandato foi autorizado pela justiça local, mas com a orientação de cautela, pois os moradores nunca tiveram envolvimento com a  polícia.
 
Depois de entrarem no local e não acharem arma, os policiais teriam ido embora - um deles com o dinheiro - mas quando o casal chegou em casa a viatura retornou. 

"Cheguei e vi que o dinheiro não estava no bolso. Ia pegar o carro e ir na delegacia conversar. Nisso vi a viatura retornando. Parei, falei para ele (policial) o que estava acontecendo. Ele botou a mão no meu pescoço e apontou a arma para a minha cabeça, perguntando: 'onde está a arma vagabundo?'. Minha esposa do lado e com a camisa na mão já sem o dinheiro, perguntou onde estava o valor, aí ele ficou furioso e começou a me dar murro na boca, me agredia e agredia minha esposa. A gente só se defendia dele e ele agredia", conta o morador.

O circuito de filmagem da casa que comprovaria as denúncia também foi quebrado, segundo informaram os moradores.

Os nomes do policial e da delegada não foram mencionados porque o caso está em apuração. O processo está em segredo de justiça. 

 

DELEGACIA

"Fui na delegacia. Eu estava com o lábio cortado porque ele me deu um murro. Aí ficamos algemados. Deu um mata-leão na minha esposa. Quase matou ela enforcada. Ela ficou com o rosto todo roxo e um corte grande na cabeça. Mesmo assim dentro da delegacia eu pedindo socorro para passar no médico e ele não deixou. Só em Botucatu passamos no IML", afirma o morador.

 

JUSTIÇA

"Queremos que se faça justiça, porque nós não merecemos isso. A gente trabalha, sai de casa às 4h30 da manhã, chega de noite, não paramos nem de domingo e depois a gente sofre esse tipo de coisa. E ser preso sem dever", falou o dono da casa.

 

MULHER

Ainda muito abalada e chorando a esposa Ana Paula Custódio deu o seu relato. "Na hora que ele chegou e começou a agredir o meu esposo, mandou os 3 policiais algemar. Depois que ele algemou a gente, aí começaram as agressões. Deu um tiro para o alto, colocou a arma na minha testa e falou que ia me matar. Eu falei que iria matar inocente. Nessa hora ele deu um tiro para o alto. Na hora que ia por na viatura me empurrou e me deu um murro nas costas, chute na perna e xingava de palavrão que nem vale a pena repetir. Ofendeu a minha filha, meu filho. A gente só trabalha e mesmo assim chegou na delegacia a gente achou que ia ser mais calmo, mas foi pior porque mesmo a delegada do lado e ele agredindo. Ela não reagia. A delegada agrediu a gente. Me deu um tapa no rosto. Falou que achou bala (de revólver) no meu criado mudo, só que na minha casa não tem criado mudo no quarto. Foi forjada porque a gente não tem arma nem bala. A gente só trabalha", diz a mulher. 

 

DEPOIS DO CASO

"Meu filho (de 16 anos) e minha filha (de 19) estão indo mal na escola e eu não quero ficar mais sozinha. É triste, muito triste porque uma pessoa que só trabalha e ir na cadeia e ser preso mesmo sendo inocente... Eu fui para Porangaba e ele para Itatinga. Mesmo inocente a gente foi parar na cadeia. Foi uma noite inteira na cadeia.  Ela tinha estipulado 3 mil reais para cada um para não ser preso, mas a gente não tinha dinheiro para pagar. Ele (policial) levou dinheiro que eu tinha lá para pagar a prestação do caminhão e a faculdade da minha filha. Se não é uns amigos da gente isso ia estar atrasado. Nem compra esse mês eu consegui fazer porque não tenho dinheiro. Ele levou", disse a moradora.

 

ADVOGADO

O advogado Regis Antonio Diniz que representa o casal disse que o caso foi denunciado como omissão de socorro. Alega que houve conivência da delegada, pois na apresentação do BO a delegada, diz ele, foi comunicada do sumiço de dinheiro e segundo ele não foi tomada nenhuma providência para instaurar uma sindicância contra o investigador. Também se acusa a polícia de agressão, prevaricação e furto. "Só após a audiência de custódia a senhora Ana Paula que estava com a cabeça machucada pode ir ir ao médico para ser medicada", disse o advogado. "A pena vai ficar a critério da corregedoria e do poder judiciário. Nós pedimos o afastamento imediato dos policiais, da delegada e do investigador e está sendo apreciado inclusive com pedido de prisão preventiva dos dois (policial e delegada). Agora vamos aguardar a decisão do poder judiciário e a manifestação da corregedoria. A gente está denunciando porque mais pessoas podem estar sendo vítimas dessa situação. Nós estamos vivendo em um estado democrático de direito que precisa ser preservado então muito sangue foi derramado para que acabassem as torturas, então as pessoas precisam vir a público e fazer denúncia se sofreram uma violência física, patromonial ou moral. Meus clientes concordaram em falar. É um momento de cidadania, nada pessoal", disse o advogado.

 

ALEGAÇÃO DA POLÍCIA

Segundo o advogado dos moradores, no dia em que tudo aconteceu a polícia realizou um flagrante dizendo ter encontrado 8 munições na residência. Os policiais alegaram ainda que o morador não tinha licença do Ibama, nem para usar motoserra e não poderia fazer o amarzenamento de óleo (2 galões). Questionou-se ainda a existência de maritacas que estavam na casa (soltas) o que na visão da polícia, configura crime ambiental. Mas por outro lado ele diz que todas as autorizações existem.

Também relata o advogado que o dinheiro que sumiu da casa não é mencionado no BO a não ser no depoimento dos moradores. A acusação foi de desacato, resistência, crime contra o meio ambiente, lesão corporal - onde um policial na hora de dar uma gravata na mulher que tentava se desvencilhar teve a região perto do olho arranhada - além de estatuto de desarmamento por conta das munições. 

 

SECCIONAL

O delegado Lourenço Talamonte Neto da Seccional de Botucatu é quem investiga reclamações contra a Polícia Civil. "A Polícia Civil assim que tomou conhecimento encaminhou o caso à Corregedoria e por isso já está sendo apurado. Foi instaurado inquérito policial para as medidas administrativas. As pessoas envolvidas diretamente no caso serão ouvidas, inclusive a autoridade policial, policiais civis e as demais partes que registraram a reclamação assim a gente vai poder chegar à verdade do que realmente aconteceu sobre esse fato. O prazo de apuração é inicialmente de um mês e caso não seja possível ser encerrado devido a demais exigências o tempo poderá ser prorrogado", disse o delegado-corregedor.

 

Fonte: Agência14News

 

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