Um pastor publicou nas redes sociais um vídeo que comoveu os moradores de Jaú (SP), após a constatação da morte do rapaz baleado por um policial militar por ter ameaçado jogar um bloco de cimento contra os agentes na tarde desta terça-feira (11).

 

No vídeo, o pastor Rafael Amaral, que conhecia Paulo Henrique Silva Neves há pouco mais de cinco anos, diz que a situação poderia ter tido um desfecho diferente.

Segundo ele, a vítima foi tratada pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e pelo Ambulatório de Saúde Mental do município e que não havia tomado os remédios diários prescritos.

“Eu tive acesso ao laudo do Paulo na Apae e vi que ele precisa tomar os medicamente para tratamento. Quando ele não toma os remédios, ele fica agressivo. Tem muita gente julgando ele como drogado e bêbado, mas ele nem sabia o que é droga”, conta no vídeo.

Procurada pela reportagem g1, a Apae de Jaú não quis se manifestar sobre o caso.

O pastor também diz no vídeo que ele estava em frente à igreja, local onde ocorreram as discussões e ameaças, atuando como “flanelinha”, ou seja, cuidando dos carros dos moradores do município.

“Ser flanelinha é a única coisa que ele aprendeu a fazer. Em frente à igreja ele fazia o salário dele, era de onde ele tirava o sustento para comer. Por isso que ele briga pelo local”, disse.

Segundo o pastor, Paulo Henrique teria sido abandonado pelos pais quando criança e não tinha familiares.

“Ele precisava de mais ajuda do que tomar um tiro no peito. Eu também o ajudava, recebia ele em casa, ele brincava com as minhas crianças, a gente ria juntos. Fiquei chateado com a notícia, mas deixo essa mensagem de amor”, finaliza.

Em outro vídeo que circula nas redes sociais, postado por uma mulher que se diz amiga da vítima, Paulo Henrique aparece contando sobre a própria vida. Na legenda, a mulher escreve que será difícil chegar à loja onde trabalha e não avistar o amigo.

“Estava sem remédios e não podia ficar sem, né. Longe de ser drogado ou uma ameaça para sociedade. Sei que você vai estar feliz com Deus, mas vai ser difícil chegar à loja e não ver mais você, amigo”, escreve.

Nas imagens, Paulo Henrique conta que foi abandonado pelo pai e pela mãe. Inclusive, comenta que havia feito amizade com os moradores da cidade, já que atuava como flanelinha.

“Fui abandonado pelo pai e pela mãe. Minha mãe falou que eu ia ser um drogado e hoje eu mostro pra ela que não sou. Não preciso usar droga. Sou sincero e sou honesto, nunca precisei roubar ninguém”, diz a vítima no vídeo.

 

Caso

 

Segundo a polícia, Paulo Henrique brigou com um morador de rua e ameaçou jogar bloco de cimento em policiais.

Segundo o boletim de ocorrência, registrado como homicídio simples, os policiais foram acionados durante o patrulhamento por moradores que contaram sobre uma briga perto da igreja na região central. Os PMs foram ao local e viram a discussão, sendo que um deles apresentava ferimentos no rosto.

Com a chegada dos policiais, os homens foram separados, mas, ainda segundo o BO, um deles estava agressivo. O rapaz, então, pegou um bloco de cimento e ameaçou jogar nos policiais.

Conforme o registro policial, um PM pediu para que o rapaz soltasse o bloco, mas ele continuou a ameaçar que iria arremessar o objeto contra os policiais. Em uma das ameaças, um dos PMs atirou e o rapaz caiu no chão. Segundo relato do policial no BO, ele se lembra ter efetuado quatro disparos.

O socorro médico para o homem foi chamado, mas ele não resistiu aos ferimentos. Após examinar as versões de testemunhas, a Polícia Civil entendeu que houve legítima defesa do policial que efetuou os disparos.

Fonte: G1 - Foto: Arquivo pessoal

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