Quando pensamos nas primeiras vacinas de uma criança, é comum lembrar daquelas aplicadas logo após o nascimento. Mas a proteção do bebê pode começar antes mesmo de ele nascer.
Durante a gestação, algumas vacinas têm uma função dupla: protegem a mulher contra doenças que podem trazer complicações durante a gravidez e também ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida.
É por isso que as gestantes abrem a série “Caminhos da Saúde – Imunização”, criada pela Prefeitura de Botucatu para ajudar a população a compreender melhor o Calendário Nacional de Vacinação e a importância de cada imunizante.
Como a vacina da mãe consegue proteger o bebê?
Durante a gravidez, a gestante produz anticorpos em resposta à vacinação. Parte desses anticorpos é transferida ao bebê pela placenta, oferecendo proteção justamente em uma fase em que ele ainda é muito pequeno e não completou seu próprio calendário de vacinação.
Por isso, manter a vacinação em dia antes e durante a gestação é uma parte importante do pré-natal.
Segundo o Calendário Nacional de Vacinação 2026, a gestante deve ter sua situação vacinal avaliada desde o início do acompanhamento. Entre as vacinas previstas estão hepatite B, dT, influenza, Covid-19 e, em situações específicas, febre amarela. A partir de determinadas semanas de gestação, entram ainda a dTpa e a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Hepatite B
A hepatite B é uma infecção viral que atinge principalmente o fígado e pode evoluir para formas crônicas da doença.
Para a gestante que não possui esquema vacinal completo, a vacinação deve ser iniciada ou completada conforme seu histórico vacinal.
A vacina também protege contra a hepatite D, uma vez que esse vírus depende da presença do vírus da hepatite B para causar infecção.
dT: proteção contra difteria e tétano
A vacina dupla adulto, conhecida como dT, protege contra duas doenças potencialmente graves: difteria e tétano.
O tétano é causado por uma bactéria encontrada no ambiente e pode provocar rigidez e contrações musculares intensas. Já a difteria é uma doença infecciosa que pode comprometer principalmente as vias respiratórias.
A necessidade de doses durante a gestação depende do histórico vacinal de cada mulher.
Influenza: gripe também merece atenção durante a gravidez
A vacina contra a influenza faz parte da proteção da gestante e deve ser recebida a cada temporada.
Embora muitas vezes seja tratada como uma doença simples, a gripe pode provocar complicações, especialmente em grupos mais vulneráveis. A vacinação reduz o risco de formas graves da doença.
Covid-19
O Calendário Nacional também recomenda a vacinação contra a Covid-19 durante a gestação, com uma dose a cada gestação, para proteção contra formas graves da doença causadas pelo SARS-CoV-2.
dTpa: proteção que chega ao recém-nascido
A partir da 20ª semana de gestação, a recomendação é de uma dose da vacina dTpa em cada gestação. Ela protege contra difteria, tétano e coqueluche.
A coqueluche merece atenção especial porque pode ser particularmente grave nos primeiros meses de vida. Ao receber a dTpa durante a gravidez, a mãe produz anticorpos que também ajudam a proteger o bebê enquanto ele ainda não completou seu próprio esquema de vacinação.
VSR: proteção contra bronquiolite e pneumonia
Outra importante proteção prevista no calendário das gestantes é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Ela é indicada a partir da 28ª semana de gestação, em cada gestação, e ajuda a proteger o bebê contra bronquiolite, pneumonia e outras complicações provocadas pelo vírus.
A estratégia é justamente aproveitar a transferência de anticorpos da mãe para oferecer proteção à criança em seus primeiros meses de vida.
E a febre amarela?
A vacina contra a febre amarela aparece no calendário da gestante, mas é uma situação diferente das demais.
Durante a gravidez, sua aplicação é considerada apenas em situações excepcionais, como quando a gestante vive ou precisa viajar para uma área de risco epidemiológico e não é possível evitar a exposição. Nesses casos, a vacinação deve ser precedida por avaliação do serviço de saúde, considerando riscos e benefícios.
Cada gestante tem uma história vacinal
Isso também ajuda a entender por que não existe uma resposta única para a pergunta: “Estou grávida. Quais vacinas preciso tomar?”
Algumas vacinas dependem das doses que a mulher já recebeu ao longo da vida; outras são recomendadas especificamente durante cada gestação.
Por isso, a orientação é simples: leve sua carteira de vacinação para o pré-natal e peça para a equipe de saúde verificar sua situação vacinal.
Multivacinação é oportunidade para colocar a proteção em dia
As vacinas previstas pelo Calendário Nacional estão disponíveis na rede municipal de saúde de Botucatu, de acordo com as indicações para cada público.
Além do atendimento regular nas unidades, a população também conta com postos de vacinação com atendimento noturno.
E no sábado, dia 22 de agosto, Botucatu realiza o Dia D da Multivacinação, com todos os postos de vacinação abertos das 8 às 17 horas. Mais do que conferir uma lista de doses, a proposta é olhar para a carteira de vacinação como parte do cuidado com a saúde.
Na gestação, esse cuidado pode proteger duas vidas ao mesmo tempo.
Fonte:Prefeitura de Botucatu.








