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Juíza de Botucatu deixa processo contra quadrilha de mega-assalto a bancos e anda com escolta após ameaças de morte. Ataque completou 1 ano

O ataque a agências bancárias em Botucatu completa 1 ano nesta quinta-feira (29). Nesse período 19 pessoas foram indiciadas e 16 estão presas. As investigações continuam, mas a juíza Cristina Escher, que ficou à frente do caso por quase um ano e chegou a condenar alguns envolvidos, pediu para se afastar após receber ameaças de morte.

Na noite do dia 29 de julho de 2020, homens fortemente armados explodiram uma agência bancária, trocaram tiros com os policiais militares e aterrorizaram os moradores. Os supostos líderes dessas ações foram presos e cinco pessoas já foram julgadas e condenadas por ajudar na fuga dos criminosos, mas as investigações do mega-assalto continuam.

“Tem alguns mandados de prisão em aberto, mas os principais líderes que chefiavam essa quadrilha foram todos presos. Ainda tem alguns, o trabalho continua de investigação, até porque não foi só em Botucatu que ocorreu esse tipo de crime. tivemos em Ourinhos, Bauru e Guarulhos. Então a gente procura fazer uma ligação com todos esses crimes, procurando informações para conseguir mantê-los presos e a condenação de todos”, explica o delegado Lourenço Talamonte Neto.

As ações criminais desse dia ficaram nas mãos da juíza Cristina Escher, de Botucatu, porém a magistrada que esteve por quase um ano com o caso não irá mais julgar o processo. Ela pediu para se afastar após receber ameaças, que também são investigadas pela polícia.

“De imediato registramos a ocorrência pra registrar o fato, já foi instaurado o inquérito policial pela DIG de Botucatu que está investigando o caso e também ela tá recebendo a devida segurança escolta 24h.”

Ameaças

Na primeira instância, a juíza Cristina Escher decidiu pela condenação de quatro mulheres e um homem em um dos processos do caso. As penas são de nove a dez anos e seis meses em regime fechado.

Todos são suspeitos de ir a Botucatu depois do ataque pra resgatar criminosos feridos. Depois desta fase, a magistrada se preparava para julgar a ação que envolve quatro acusados de atuarem nos ataques e ainda de serem os cabeças do grupo. O fim da instrução do processo estava marcado para o dia 30 de junho, mas antes da decisão, a juíza recebeu o alerta da polícia.

Uma denúncia anônima no telefone da Polícia Militar dizia que, de dentro da cadeia, os suspeitos pensavam em atacar a magistrada.

“Em razão das condenações que ela sentenciou no início é que surgiram essas ameaças, claro, além da ameaça é coação no curso do processo. Então de imediato tomamos providências nessa investigação”, completa o delegado.

Em revistas na penitenciária de Avaré onde os acusados estão, a polícia descobriu uma carta com ameaças. A perícia vai avaliar o documento pra tentar determinar quem foi o autor.

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O inquérito policial que investiga as ameaças está sob sigilo, mas a reportagem da TV TEM teve acesso a um trecho da carta encontrada. Nela, os criminosos escrevem que a juíza está pesando a mão, como fazia o Machado, que já foi morto. No final do trecho deixam claro que ela está com o alvo nas costas.

Machado pode ser uma referência a Antônio José Machado Dias, juiz corregedor de Presidente Prudente assassinado em 2003, Cristina Escher era esposa do juiz na época do crime.

Depois do registro dessas ameaças, a juíza pediu o envio da ação penal para São Paulo em uma vara especializada em organização criminosa, mas a magistrada da capital também se julgou incompetente para julgar o caso.

Como houve nesse ponto um conflito de competência, a ação penal está agora provisoriamente com a juíza substituta da Segunda Vara Criminal de Botucatu, mas cabe ao Tribunal de Justiça decidir em qual local o caso deve seguir.

Para evitar que mais juízes sejam alvos de ameaça, o Tribunal de Justiça estuda passar o caso para um colegiado, assim o processo seria julgado por diferentes magistrados.

A juíza não quis gravar entrevista, mas informou em nota que por causa das ameaças deixou até de fazer lives nas redes sociais. Ela costumava a fazer as lives para conversar com os internautas sobre a violência doméstica.

 

Fonte: TV TEM/G1