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Padre responsável por mosaicos gigantes no Santuário Nacional de Aparecida é expulso pelos Jesuítas após denúncias de abuso sexual

O padre esloveno Marko Ivan Rupnik, responsável pelas obras das fachadas com mosaicos gigantes no Santuário Nacional de Aparecida (SP), foi expulso da comunidade dos jesuítas após denúncias de religiosas por abuso sexual e psicológicos.

A expulsão de Rupnik da Companhia de Jesus, ordem religiosa à qual ele integrava, foi oficializada nesta segunda-feira (24). A decisão aconteceu após investigação dos jesuítas sobre os casos ocorridos em um período de mais de 30 anos.

Os jesuítas determinaram que Rupnik mudasse de comunidade e aceitasse uma nova missão, mas ele se recusou. Depois da demissão, o esloveno tinha um mês para contestar a decisão, o que não aconteceu.

“Passados os trinta dias previstos para que ele possa recorrer dessa decisão da Companhia, de acordo com as novas normas canônicas a respeito, podemos declarar hoje que ele não é mais um religioso jesuíta”, diz trecho da carta.

Em nota publicada à época, o Centro Aletti, ateliê fundado por Rupnik, afirmou que a demissão do padre esloveno era baseada em campanha midiática baseada em acusações difamatórias e não comprovadas.

Obras na Basílica

A situação de Rupnik cria um impasse em relação às obras das fachadas com mosaicos gigantes no Santuário Nacional de Aparecida (SP). Durante a investigação, em fevereiro de 2023, o padre já havia sido proibido pela Companhia de Jesus de realizar qualquer obra pública.

O padre esloveno é o artista principal do trabalho que está em andamento desde 2019 e prevê quatro mosaicos para enfeitar as fachadas do maior templo católico do Brasil.

Uma parte, que fica na principal entrada do Santuário Nacional, já foi concluída e inaugurada em 2022. São quatro mil metros quadrados de mosaico com cerca de 50 metros de altura que retratam cenas bíblicas. As pedras usadas no mosaico são do Brasil, França, Grécia e Afeganistão.

A Fachada Sul também foi concluída, mas não foi inaugurada pois há obras na Arcada dos Apóstolos, que fica exatamente ao lado. As outras duas estão programadas para sequência.

A previsão inicial era de que todo o trabalho levasse oito anos, mas houve atrasos na execução por causa da pandemia e não há uma data final estabelecida pela Basílica.

O g1 acionou o Santuário Nacional de Aparecida, que disse que aguarda orientação da Igreja para definir a situação das obras após as denúncias conta Rupnik.

“As obras de revestimento da Basílica de Aparecida são uma concepção e execução de mosaicistas do Centro Aletti. Como o padre é membro desta instituição, o Santuário Nacional acompanha com atenção o caso e aguarda orientações da Igreja para suas definições”.

O g1 solicitou posicionamento para o Centro Aletti, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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